• Alexandra Gomes

A ansiedade infantil no regresso às aulas: como lidar com ela

O ano letivo está à porta!


O tempo passado em família é reduzido, o despertar cedo, faça chuva ou faça sol, é um presente diário, o (re)encontrar colegas e amigos, o conhecer novos professores, são um apelo ao saber conviver, para muitos a mudança de escola, de rotinas e da gestão do tempo, são novos desafios, e o voltar a substituir o tempo total de brincadeira, pelos trabalhos de casa, representam uma oportunidade de resiliência para pais e crianças.


Qualquer mudança de rotina, e o início de um novo ano letivo implica muitas mudanças, com algumas crianças, reflete-se na sua impaciência, nas noites mal dormidas, nalgumas “somatizações” aliadas à não ida para a escola, enfim…na tão conhecida ansiedade. Para alguns, a escola não é apelativa. Na realidade, todas as mudanças implicam ansiedade, pelo medo do desconhecido associado a esse momento.


Segundo a Psicóloga Teresa Andrade, a ida para a escola, particularmente a transição para o 1º Ciclo, implica várias mudanças e muitas expectativas. Transitar de um lugar maioritariamente de brincadeira para um de maior trabalho e responsabilidades, é gerador de desafios e dificuldades, cuja intensidade varia com a personalidade, a maturidade, as características da criança e os próprios contextos em que se insere e que a acolhe.


Assim, para as crianças com níveis mais elevados de atenção, mais calmas, obedientes e organizadas, e com bom desenvolvimento cognitivo e emocional, a sua capacidade de adaptação às várias etapas da vida parece ser maior. No entanto, estas mesmas crianças podem sentir níveis de ansiedade aliados, na medida em que os motivam a dar o seu melhor no novo ano letivo.


Por outro lado, as crianças com maior dificuldade cognitiva ou maior instabilidade emocional, menos tolerantes à frustração ou menos tranquilas, sentem níveis de ansiedade condicionadores do seu sucesso escolar e de um início doloroso para elas e para os pais, interferindo no seu bem-estar. Nestas alturas, são frequentes os pesadelos, as perturbações do sono e alimentares, a irritabilidade e o medo de não se lembrar das aprendizagens escolares. Nestes casos, os pais têm um papel fundamental na superação destes novos desafios. Numa primeira fase, devem evitar utilizar a tão conhecida expressão “No meu tempo é que era”. Cada fase é uma fase, cada criança é uma criança e é inadequado generalizar-se qualquer situação a todas as crianças, jovens ou adultos. Por exemplo, os pais devem sim, expor o problema aos professores, sensibilizá-los para o quadro sintomatológico da criança, procurar ajuda especializada e assim possibilitar um trabalho de rede para a promoção do seu bem-estar.


A apresentação da escola como algo repressivo e castigador, através do uso de expressões como “quando fores para a escola já não poderás fazer isto ou aquilo”, reforça negativamente a ansiedade das crianças. Estas devem, antes, ser informadas sobre aquilo que as espera: um professor (ou professores) com quem irão conhecer coisas novas, a quem deverão respeitar, o qual esclarecerá as suas dúvidas e que as ajudará a ultrapassar as suas dificuldades. Os pais, por sua vez, devem explicar aos filhos que a escola é um lugar seguro, onde irá fazer novas descobertas e conhecer novos amigos com quem brincar. E porque as suas preocupações devem ser tomadas em consideração, os pais devem ser esclarecidos sobre as questões que colocam, pois, a sua adaptação a esta nova etapa dos filhos condicionará a sua adaptação.


Por último, mas não menos importante, a Escola também tem de se adaptar. Muitos pais tendem a pensar que há algo de errados com os seus filhos, porque estes não conseguem comportar-se de igual forma às outras crianças. As crianças são todas diferentes e nem todas se encaixam no padrão de ensino regular. Dados os constrangimentos estruturais atuais, o papel dos pais, em colaboração com os professores e técnicos especializados, é fundamental na integração escolar de forma apelativa. A inclusão em atividades de aprendizagem apelativas para a criança, extracurriculares, através de jogos, passeios, convívio com os avós, a aprendizagem da matemática, por exemplo, através da natureza, a invenção de uma história pela criança, são tudo estratégias que minimizam os sintomas de ansiedade e resistência perante a escola e promovem o seu bem-estar emocional.


Um bom início de ano para todos!

39 visualizações0 comentário

Posts Relacionados

Ver tudo

A importância do brincar no desenvolvimento infantil

As brincadeiras têm um papel muito importante na vida das crianças, pois, entre vários motivos, contribuem para a promoção do seu desenvolvimento psicoemocioal. Por isso, é muito importante que todas

Uma emoção em crise: Amor-Próprio

O Amor-Próprio significa ter estima e confiança por si próprio e é fundamental para criar uma relação saudável com o próprio e com o outro. Quando se sente esta emoção, tão presente na própria vida, s