• Alexandra Gomes

As crianças e o mentir (1)

À medida que as crianças se desenvolvem cognitiva e socialmente, com a aprendizagem do código moral que adquirem na família e que tendem a modelar, vão permitindo a criação de um “espaço” para aprenderem as mentiras.

As crianças mais pequenas tendem a mentir pela dificuldade inerente em separar a o mundo real do mundo imaginário, por uma interpretação errada do que ouviram ou pela incompreensão da pergunta que lhes foi colocada. No entanto, segundo a Psicóloga Catarina Lucas, as mentiras na infância podem estar relacionadas com outros motivos, tais como:

  • Desejo de conseguir algo que quer muito;

  • Medo da reação do adulto;

  • Incapacidade de assumir a verdade, pela dor e pela humilhação que pode representar;

  • Medo de ser castigada;

  • Negação em desiludir os outros por ter um comportamento menos adequado.

Independentemente do motivo, as crianças, com maior ou menor frequência, mentem e é importante que os educadores informais/formais adotem algumas medidas que a médio/longo prazo condicionem e diminuam o ato de mentir. Tais medidas prendem-se com alguns comportamentos, tais como:


  1. Não berrar: mesmo que o adulto fique irritado ou desiludido com a mentira, berrar com a criança não irá ajudar a situação. Pelo contrário, ao manter a calma, transforma a situação num processo de aprendizagem.

  2. Reforçar a relação de confiança: afirmar à criança que, embora mentir seja um comportamento negativo, é importante que ela seja capaz de assumir e partilhá-lo.

  3. Não se exaltar: a calma é um grande aliado da educação parental, particularmente em contextos de mentira. Abordar o assunto com calma, isento de ameaças, castigos ou ressentimentos, é uma forma de reforçar a adoção da verdade, em detrimento da mentira.

  4. Praticar a escuta ativa: praticar a escuta ativa significa escutar a criança sem a interromper, demonstrando empatia e permitindo-lhe explicar a sua versão dos fatos e o motivo da mentira.

  5. Não castigar: nestas situações, os castigos são contraproducentes, na medida em que provocam medo na criança e inibem-na de dizer a verdade. Desta forma, a criança mais facilmente recorrerá a mentiras para não vivenciar essas situações desagradáveis.

  6. Ensinar a refletir e a pedir desculpa: é importante que a criança perceba que todos os comportamentos têm consequências e estas são uma excelente oportunidade de assumir as suas responsabilidades. Assim, o adulto deve ajudar a criança a reparar o dano causado e pedir desculpa.

  7. Educar por modelagem: o adulto tem o dever e a responsabilidade de educar pelo exemplo. Isto significa que as, “pequenas desculpas”, do género “diz que eu não estou…” são um forte exemplo para o desenvolvimento de um perfil recorrente de criação de mentiras.

Na base destas medidas, encontra-se uma estratégia fundamental, transversal a todas as práticas pedagógicas, assente na comunicação. É essencial que os pais conversem frequentemente com as crianças sobre o impacto negativo da mentira na vida delas e das outras pessoas.

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