• Alexandra Gomes

Crianças “à beira de um ataque de nervos”: gestão Parental (i)

Ser pai ou mãe é tão desafiante como extraordinário!


Cada dia é um mistério, no qual podem estar guardados tesouros mais ou menos estimulantes…


Vivenciar a parentalidade é trilhar um caminho por tentativa-erro e trabalhar a resiliência, o Amor Pleno, a bondade e a generosidade genuínas!


A questão é que, não tão poucas vezes assim, as expectativas dos pais, em relação à própria parentalidade, ficam aquém do espectável e o confronto com a densidade parental é colocado à prova nos episódios “birrentos” da criança. Ao cansaço de um fim de dia mais ou menos atribulado, junta-se a saturação da criança, traduzida nas conhecidas “birras”!

Lidar com essas birras nem sempre é fácil; nem sempre os pais estão preparados para, com tranquilidade, irem ao encontro dos pedidos de ajuda disfarçados das crianças. Por exemplo, em pleno supermercado, a criança começa a manifestar-se efusivamente através de gritos e choro e a vontade dos pais é desaparecer, como que por magia ou ignorar como se tomassem a pílula do esquecimento, na (quase sempre vã) esperança que a birra pare. Uma outra reação é a reatividade mais agressiva dos pais, com a elevação do tom de voz e a incontinência verbal, traduzida em palavras e frases que nem sempre são as mais sadias de serem escutadas.


A boa notícia é que:


  1. Estas condutas estão/estiveram presentes, pelo menos 1 vez, na maioria das famílias portuguesas;

  2. Há sempre solução, a qual com esforço, persistência e disciplina, reequilibra o bem-estar nas crianças e nos seus pais.

Deste modo, a proposta é substituir algumas frases que, num ápice, demonstram o “fel parental ocasional”, por expressões mais adequadas ao desenvolvimento emocional salutar e equilibrado.

Por exemplo, ao invés de um “para de atirar as coisas”, deve adotar-se a comunicação não violenta com a expressão “ao atirares os brinquedos, eu acho que já não gostas de brincar com eles… É isso que se passa?”. Desta forma, a criança tem a oportunidade de reorganizar o seu comportamento.

A expressão “Para de dizer não!” deve ser substituída pela expressão “Já percebi que não queres isto…Então, vou ajudar-te a descobrir o que podemos fazer diferente”. Desta forma, o foco passa para a adoção de uma perspetiva na solução.


A utilização da expressão “os meninos crescidos não choram” é a manifestação de uma grande mentira. À medida que crescem, mais e maiores serão os problemas da criança e a probabilidade de agudizar a sua expressão, aumenta também. Ao contrário do que a expressão erroneamente adotada tenta transmitir, os adultos também expressam as suas emoções e uma das formas é através do choro. Ao dizer que “menino não chora”, o adulto está a contribuir para a repressão emocional da criança, prejudicando, o seu desenvolvimento Psicoemocional.


Comumente é ouvida e proferida a expressão “Tem calma! Não te enerves!” a qual é, mais uma vez, a manifestação da repressão emocional da criança. Pelo contrário, o adulto tem um papel fundamental na gestão emocional da criança, ajudando-a a manifestar a sua raiva e adotando comportamentos que não prejudiquem a si própria e aos outros.


Por último, a tão conhecida frase “Vai já lavar os dentes”, nem sempre surte o efeito desejado pelos pais… Para as crianças, esta é uma ótima oportunidade de exercer controlo sobre o seu ambiente. Assim, os pais respeitam essa necessidade, conferindo à criança o poder/o controlo…de optar por um de dois comportamentos: “Queres lavar primeiros os teus dentes ou os do teu boneco?”.


Assim, com a substituição de expressões mais agressivas por outras não violentas, os pais conferem segurança à criança e promovem a sua capacidade de resiliência e autoconfiança!

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