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  • Foto do escritorAlexandra Gomes

Dificuldades na compreensão leitura: o “contributo” dos ecrãs


A aprendizagem teve (e ainda tem) como pilar importante, os processos de leitura e escrita.


É indiscutível o seu contributo para a evolução da Humanidade e perder estas competências significaria um grave retrocesso na História.


No entanto, os ecrãs chegaram e, mesmo com as suas “boas intenções”, desarrumaram a “casa” e estão a modificar a forma como se ensina e como se aprende.


A Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) considera que o tempo excessivo despendido com os ecrãs afeta a inteligência das crianças. Ecrãs nos restaurantes, ecrãs nas filas de espera, ecrãs na realização de provas escolares, ecrãs em casa, ecrãs quando estão na sala de espera, ecrãs nas viagens de carro, ecrãs para estudar…ecrãs, ecrãs e mais ecrãs!!


As crianças têm um contacto direto com os ecrãs muito acima das suas possibilidades cognitivas e emocionais e é lamentável a crença (limitadora) que impera entre muitos educadores dos benefícios que se está a dar às crianças, argumentando com a possibilidade de se desenvolverem muitas habilidades de forma interativa e divertida.


O outro lado da moeda do entusiasmo com os ecrãs é a compreensão leitora das crianças ser cada vez mais comprometida e limitada. E não é “só”!! O uso dos ecrãs potencia a dificuldade de concentração das crianças, uma postura corporal incorreta, problemas de visão cada vez mais expressos e o desenvolvimento de psicopatologias infantis e juvenis.


Balanceados os benefícios e as desvantagens, o resultado é uma perda significativa para as crianças e os jovens.


Uma realidade é certa: os ecrãs chegaram, existem e já estão difundidos na humanidade e para tudo há um meio termo, um balanceamento. Assim, talvez o problema não seja os ecrãs por si só, mas a dispensa completa do papel, da leitura tranquila, dos resumos manuscritos e com isso a ausência de processos mentais elementares como a motricidade fina, a análise e a resignificação mentais, seja de forma escrita ou oral.


O uso balanceado dos ecrãs e integrado nas clássicas estratégias de aprendizagem, como a leitura física e a escrita manual, junta o “melhor dos dois mundos” e a Humanidade evolui assente em alicerces sólidos e potenciadores de Seres Humanos felizes, focados e atentos ao outro na sua singularidade.

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