top of page
  • Foto do escritorAlexandra Gomes

O risco social do défice de comprometimento humano


Quando se fala em “défice de comprometimento humano” entende-se, de forma mais ampla, como a forma de relacionamento enfraquecida entre as pessoas em diversos contextos sociais, profissionais e ambientais. O ser humano vive em medo e, na maioria das vezes, esse medo é irracional, prejudicando significativamente ao próprio e aos com quem se relaciona.

 

Como respostas espontâneas perante o medo, seja ele qual for, o ser humano pode atacar, congelar ou fugir.

 

Pois bem, o défice de comprometimento aqui mencionado nada mais é do que uma resposta de fuga perante os próprios fantasmas do medo e traduz-se em vários contextos, de variadas formas, apresentados em seguida.

 

No ambiente de trabalho, a falta de comprometimento com as tarefas, os objetivos da equipa ou com a organização manifesta-se na quebra de produtividade e da qualidade do trabalho. Além disso, colaboradores menos comprometidos tendem a mudar de emprego com mais frequência, procurando novas oportunidades sem hesitarem.

 

Em contextos sociais e comunitários observa-se um menor envolvimento nas questões comunitárias, políticas e sociais, afetando a capacidade de ação coletiva para melhorias ou mudanças significativas. Também as organizações sem fins lucrativos e as causas sociais sofrem com a falta de comprometimento, na medida em que cada vez são menos os voluntários dispostos a comprometer o seu tempo e os seus recursos.

 

Nas relações interpessoais, a preferência por interações menos profundas leva a um movimento onde as relações superficiais são mais comuns, afetando a qualidade dos laços humanos. Por sua vez, a menor disposição para se comprometer leva ao enfraquecimento das redes de apoio social, com impacto significativo no bem-estar psicoemociobal das pessoas.

 

Por último, a ausência de compromisso com o meio ambiente reflete-se na falta de comprometimento com práticas sustentáveis que acelera a degradação ambiental e compromete os recursos das gerações futuras. Esta falta de compromisso ambiental reflete-se também em padrões de consumo irresponsáveis, exacerbando problemas como a poluição e o desperdício.

 

A falta de comprometimento numa escala mais ampla tem repercussões significativas, incluindo desafios para alcançar metas coletivas de desenvolvimento sustentável, dificuldades em responder às crises globais como pandemias e mudanças climáticas e arduidades em manter sociedades coesas e resilientes.

 

Para abordar o défice de comprometimento humano em diversas áreas é essencial promover uma cultura de responsabilidade, ética e de encorajamento. Esta pode ser alcançada através da educação pedagógico-emocional e de políticas que incentivem a participação ativa e sustentável e iniciativas que reforcem a importância das conexões humanas profundas. Criar ambientes que valorizem o comprometimento e reconheçam as contribuições individuais e coletivas leva ao maior envolvimento e à maior dedicação em múltiplas áreas da vida humana.

 

23 visualizações0 comentário

Posts Relacionados

Ver tudo

Quando as crianças exigem demais delas próprias

“Perfecionismo”: característica humana, segundo a qual são estabelecidos altos padrões de desempenho, acompanhados por avaliações muito críticas e pela intransigência perante falhas ou erros; elevado

Ensinar a bondade às crianças em tempos de guerra

Em pleno século XXI, vários são os conflitos e as guerras geradores de ainda mais medo e agressividade entre nós. Estes, não se cingem aos armados, mas também aos de valores, como uma característica s

Quando os professores acreditam no melhor dos alunos

Quando os professores acreditam e investem no melhor dos seus alunos, demonstram um compromisso com o seu desenvolvimento académico, emocional e pessoal, com contributos significativos para a autoesti

Comments


bottom of page