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  • Foto do escritorAlexandra Gomes

Promover a autonomia e a confiança das crianças…deixando de decidir por elas


“As crianças crescem num mundo dominado por adultos”. Quem o afirma é a Psicóloga Clínica Ana Santos, que adverte, também, para o risco das decisões tomadas por estes, relativamente à vida das crianças.


Desde sempre, as crianças nascem num mundo já programado para elas, no qual lhes é pedido (exigido) que cumpram as ordens, as tarefas, as instruções e os horários que lhes são definidos.


Na linha desta programação, os pais tendem a tomar as decisões pelas crianças, alegando que eles sabem o que é melhor para elas. Desta forma, decidem pelas crianças sobre o que devem comer, vestir, como se devem comportar, o que devem dizer, e por aí fora.


À medida que crescem, a consequência desta ausência pessoal na tomada de decisões reflete-se na dificuldade acrescida em fazê-lo, pois nunca o fizeram, sentem-se incapazes e geram surpresa e inquietação nos pais.


A boa notícia é que, apesar desta tendência contemporânea, os pais podem ajudar as crianças a desenvolver a sua capacidade de tomada de decisão. Segundo, Ana Santos, os pais contribuem para o aumento da capacidade das crianças nas tomadas de decisão quando:


1. Deixam-nas escolher desde pequenas, incentivando-as a tomar decisões adequadas à idade, uma ou duas vezes por semana, por exemplo entre duas opções (no vestuário, na peça de fruta, filme para ver…). Desta forma as crianças sentem que têm controlo sobre a sua vida, que a sua opinião é importante e, por isso, sentem-se mais autoconfiantes no momento de decidir.


2. Incentivam a reflexão sobre as vantagens e desvantagens de determinada opção. Os pais devem auxiliar as crianças a pensar porque fizeram uma escolha, em detrimento de outra. Desta forma, fomentam a autoconsciência das crianças, ajudam-nas a fazer melhores escolhas e a compreender e aceitar determinadas regras e ordens dos adultos. Esta reflexão é também muito importante na autorregulação emocional, no controlo dos impulsos e na integração das suas responsabilidades.


3. Deixam-nas sentir as consequências da sua escolha. Quando as crianças sentem as consequências da sua escolha, aprendem que as ações têm consequências e deixam de atribuir as consequências positivas ao “acaso” e as consequências negativas “ao azar”. Aprender a tomar decisões, inicialmente com pequenas consequências, é como um treino para problemas mais complexos que tendem a surgir na vida adulta.


4. Escutam a razão pela qual elas não concordam com as escolhas dos adultos. Esta é uma oportunidade de diálogo e troca de impressões, acerca da decisão a tomar, permitindo que pais e filhos dialoguem sobre a própria escolha a tomar.


Ser responsável não significa ser obediente. A responsabilidade implica estar consciente de que algo precisa ser feito e fazê-lo.


Assim, quando a criança tem autonomia para decidir, orienta o seu comportamento para objetivos pré-definidos, sentindo-se responsável, útil e menos dependente dos pais.



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