• Alexandra Gomes

Quando as crianças veem o que os adultos não conseguem

A mente curiosa necessita estímulos de todos os tipos para sobreviver,

assim não coloquemos limites a seus olhares.

(a.d.)


As crianças têm maior capacidade de “ver o mundo” que os adultos. Entre vários fatores, a pressa vivida em permanência, a atenção seletiva e a escassa curiosidade dos adultos, condicionam a habilidade de “pouco verem”, apesar de “muito olharem”.

Estudos indicam que as crianças percecionam estímulos que os adultos não, devendo-se, principalmente a, dois motivos:

1) As crianças nascem com capacidades que perdem com a idade;

2) O mundo visto através dos olhos das crianças é mais rico e fabuloso.

Esta divergência gera, nos adultos, as frequentes relativização e subvalorização do que percecionam as crianças, considerando o seu processamento de informação imaturo e limitado. Na realidade, o sistema percetivo das crianças com 4-5 anos é muito desenvolvido, por isso, segundo Margaret Mead, “às crianças deve ensinar-se como pensar e não o que pensar”. Em 2017, na Universidade de Ohio, foi realizada uma investigação com o objetivo de compreender como se diferenciava a atenção entre os adultos e as crianças. Dessa investigação concluiu-se que:

  1. Crianças com idades compreendidas entre os 4 e 5 anos, têm maior capacidade de evocar informação relevante e detalhada que os adultos;

  2. A curiosidade inata das crianças (um elemento básico na cognição) permite-lhes que percecionem estímulos que os adultos não o fazem.


Com o desenvolvimento cognitivo, progressivamente, as crianças ignoram os detalhes, focando-se no essencial e tornando-as mais eficientes. No entanto, o ideal seria que o potencial de apreciação dos detalhes se mantivesse, mesmo com o aumento da capacidade no essencial.


É compreensível que as crianças percebam estímulos que os adultos não veem mas, sendo de uma geração de Nativos Digitais, em que está presente a sobrestimulação sensorial, chegará o momento em que a sua capacidade de atenção diminui e a sua curiosidade ficará comprometida. Neste caso, cabe aos adultos ajudarem a minimizar a clivagem entre estas suas competências, através da moderação disciplinada do acesso aos ecrãs digitais.

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