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  • Foto do escritorAlexandra Gomes

Quando os pais querem sonhar através dos filhos

“A Mariana tem 12 anos e pratica Ballet desde os 6 anos de idade, modalidade que gosta muito e que a faz sentir muito bem. A menina tem várias amigas no Ballet, destacando-se a Bárbara, também com 12 anos, praticante da modalidade desde os 6 anos, e com quem teve grande cumplicidade, desde o primeiro ano em que se conhecerem.


Os anos foram passando e a Mariana foi-se aperfeiçoando na técnica, embora a sua espontaneidade criativa exigisse mais esforço à pequena bailarina. Por sua vez, a Bárbara sobressaia na criatividade e na técnica apresentava algumas dificuldades.

Entre as amigas estava tudo bem, não sendo determinante para a sua amizade o “quem é melhor em quê”.


Tudo parecia correr bem, até que a Bárbara começou a expressar algum “desconforto” pelo desempenho da Mariana na prática de Ballet: desde “recrutar” colegas bailarinas para abandonarem a Mariana, deixando-a sozinha, denunciarem-na injustamente à professora e criticarem gratuitamente exercícios que esta praticava, fazendo-a sentir-se vulnerável e insegura com o seu próprio desempenho.


A pequena Mariana não compreendia estes comportamentos e por isso, embora o Ballet fosse um sonho para si, a frequência dos ensaios e a participação nas atuações deixavam-na muito ansiosa e frequentemente somatizava esta insegurança, através de cefaleias, náuseas e estados subfebris.


Com o passar do tempo, a Mariana apercebeu-se do lamentável: eram os pais da Bárbara que lhe incutiam o “ter que ser a melhor bailarina”, não olhando a meios para o conseguir. Sobretudo a mãe insistia com a filha, de um modo variável entre o autoritário e a manipulação, para ser a melhor, fragilizando quem tivesse um bom desempenho: a Mariana.

A mãe da Bárbara, desde pequena, sonhava em ser bailarina, mas por variados motivos, não concretizou o seu desejo, sentindo-se frustrada, triste e desiludida.


Anos mais tarde, eis que viu na filha a oportunidade de concretizar o seu sonho, custe o que custasse.”


Esta podia ser a história da Joana, do Ricardo, da Maria, da Inês ou do Afonso.


Não poucas vezes se ouvem as expressões parentais: “Eu sei o que é melhor para ti”, “O melhor para ti é isto”, “Tu sabes lá o que queres…”, e por aí fora.


“Sonhar”, pela sua beleza e autenticidade, é como se de uma obra de arte se tratasse, por requerer do “sonhador” paixão, resiliência, criatividade, humildade e persistência.


Mas o sonho é único de cada um. É íntimo e pessoal. Jamais deve ser concretizado por outrem e como resultado de um sentimento de incompletude ou frustração.


Saibam os pais acreditar nos sonhos dos seus filhos e estarem lá para aplaudir a concretização e a felicidade genuína dos mesmos, sem transferir e perpetuar a mágoa, a frustração e a tristeza por não terem concretizado os seus próprios sonhos.

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