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Aprendizagem não é competência: o desafio de formar alunos capazes de agir!

  • Foto do escritor: Marta Neto
    Marta Neto
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura


No contexto educacional atual, os conceitos de aprendizagem e competência são frequentemente utilizados de forma equivalente, embora representem dimensões distintas do desenvolvimento humano e do processo educativo. A clarificação destes conceitos é importante, especialmente num momento em que os currículos e as políticas educativas se orientam cada vez mais para o desenvolvimento de competências ao longo da vida.


O que é aprendizagem?

A aprendizagem pode ser definida como um processo de mudança relativamente duradoura no conhecimento, nas atitudes ou no comportamento, resultante da experiência, do estudo ou da prática. Trata-se de um processo interno e contínuo que ocorre ao longo da vida e que envolve a aquisição e reorganização de conhecimentos e habilidades.


Segundo Illeris (2018), a aprendizagem envolve três dimensões fundamentais:

  • a dimensão cognitiva (conhecimento e compreensão);

  • a dimensão emocional (motivação e envolvimento);

  • a dimensão social (interação com o meio e com os outros).


De forma semelhante, Schunk (2020) define aprendizagem como um processo que conduz à aquisição de conhecimentos e competências através da experiência, da instrução e da observação. Assim, a aprendizagem refere-se principalmente ao processo de aquisição de saberes e capacidades.


Em termos pedagógicos, a aprendizagem está associada a conceitos como:

  • construção do conhecimento;

  • desenvolvimento intelectual;

  • aquisição de conteúdos;

  • compreensão de conceitos;

  • prática e experiência.


Ou seja, aprender significa adquirir e desenvolver conhecimentos e capacidades.


O que é competência?

O conceito de competência surgiu com maior força no campo da educação e da formação profissional, especialmente a partir dos anos 1990, associado à necessidade de preparar os indivíduos para contextos complexos e dinâmicos.


Perrenoud (1999) define competência como a capacidade de mobilizar conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver situações complexas. Neste sentido, não basta possuir conhecimento; é necessário saber utilizá-lo de forma eficaz em contextos reais.


A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OECD, 2019) reforça esta ideia ao definir competência como a capacidade de mobilizar conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para responder a exigências complexas em diferentes contextos.


Assim, a competência implica:

  • saber;

  • saber fazer;

  • saber ser;

  • saber agir em contexto.


A competência é, portanto, uma manifestação prática e contextualizada da aprendizagem.


Diferença entre aprendizagem e competência

A principal diferença entre aprendizagem e competência reside no facto de que a aprendizagem é um processo, enquanto a competência é um resultado funcional desse processo aplicado em contexto.


Podemos sintetizar esta diferença da seguinte forma:

Aprendizagem Competência

Competência

Processo de aquisição de conhecimento

Capacidade de mobilizar conhecimento

Foco no desenvolvimento interno

Foco na aplicação prática

Envolve estudo, experiência e

compreensão

Envolve ação em contexto real

Está relacionada com saber e

compreender

Está relacionada com saber agir

Pode existir sem aplicação imediata

Exige aplicação em situações concretas




Desta forma, uma pessoa pode ter aprendizagem (conhecimento adquirido) sem necessariamente demonstrar competência (capacidade de aplicar esse conhecimento). Por exemplo, um estudante pode aprender as regras da gramática, mas apenas demonstra competência quando consegue escrever textos corretamente em diferentes contextos.


Relação entre aprendizagem e competência

Apesar das diferenças, aprendizagem e competência são conceitos interdependentes. A competência não existe sem aprendizagem, pois depende da aquisição prévia de conhecimentos e habilidades. Por outro lado, a aprendizagem ganha sentido quando é transformada em competência, ou seja, quando pode ser aplicada de forma eficaz.


Segundo Le Boterf (2001), ser competente não significa apenas possuir conhecimentos, mas saber combiná-los e utilizá-los em situações reais. Assim, a competência resulta da integração entre:

  • conhecimentos;

  • habilidades;

  • experiências;

  • atitudes;

  • contexto.


A educação baseada em competências, portanto, não substitui a aprendizagem, mas amplia o seu significado, orientando-a para a aplicação prática e para a resolução de problemas.


Implicações para a prática educativa

Compreender a diferença entre aprendizagem e competência tem implicações importantes para o ensino.


Em primeiro lugar, o professor deve ir além da transmissão de conteúdos e promover situações que permitam aos alunos aplicar o que aprendem. Isso implica o uso de metodologias ativas, como:

  • aprendizagem baseada em problemas;

  • projetos;

  • estudos de caso;

  • trabalho colaborativo;

  • atividades práticas.


Em segundo lugar, a avaliação deve considerar não apenas o conhecimento teórico, mas também a capacidade de mobilização desse conhecimento em contextos reais.


Por fim, os currículos devem integrar conhecimentos, competências e atitudes, promovendo o desenvolvimento integral do aluno e preparando-o para desafios do mundo contemporâneo.


Compreender esta diferença, permite melhorar as práticas pedagógicas, tornar o ensino mais significativo e preparar os alunos para enfrentar desafios complexos. Assim, a educação atual, deve procurar equilibrar a construção do conhecimento com o desenvolvimento de competências, promovendo uma aprendizagem com sentido e aplicação prática.


Marta Neto| Psicóloga, Cédula Profissional-29547|


Referências bibliográficas

Illeris, K. (2018). Contemporary Theories of Learning. Routledge.

Le Boterf, G. (2001). Construire les compétences individuelles et collectives. Éditions d’Organisation.

OECD (2019). OECD Learning Compass 2030. OECD Publishing.

Perrenoud, P. (1999). Construir as competências desde a escola. Artmed.

Schunk, D. (2020). Learning Theories: An Educational Perspective. Pearson.

UNESCO (2015). Rethinking Education: Towards a global common good? UNESCO Publishing.

Zabala, A., & Arnau, L. (2010). Como aprender e ensinar competências. Artmed.

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