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Deixem as crianças serem felizes!

  • Foto do escritor: Marta Neto
    Marta Neto
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura

Parentalidade Consciente

A infância é uma fase única, marcada por descobertas, brincadeiras e aprendizagens. Atualmente, é comum observarmos crianças com agendas totalmente preenchidas, desdobrando-se entre a escola, as múltiplas atividades extracurriculares, exposição constante a tecnologia, pressão para resultados escolares de alta performance.


Estudos mostram que o excesso de tarefas e atividades estruturadas aumentam o risco de ansiedade, stresse e até burnout infantil (OECD, 2019). A mensagem é clara: as crianças precisam de espaço para viver a infância, não apenas para cumprir metas impostas pelos adultos.


Brincar livremente não é perda de tempo — é, na verdade, uma ferramenta essencial para o desenvolvimento. Jean Piaget destacou que as brincadeiras promovem a aprendizagem ativa, estimulando o pensamento lógico e a autonomia. Lev Vygotsky reforçou que, através do brincar, as crianças aprendem regras sociais, cooperação e resolução de problemas. Além disso, pesquisas recentes indicam que o brincar regular contribui para reduzir a ansiedade e aumentar a criatividade (Ginsburg, 2007).


A psicologia positiva mostra que crianças que crescem em ambientes que valorizam autonomia, brincadeira e vínculo emocional tornam-se adultos mais confiantes e saudáveis (Seligman, 2011; Diener et al., 2017). Ou seja, a felicidade infantil não é um luxo — é um investimento no bem-estar futuro.


Convido-vos a refletir e a colocar em prática algumas estratégias que podem promover uma infância mais positiva:


- Criar momentos familiares de qualidade: utilizar a hora do jantar para falarem sobre como correu o dia, o que aprendeu de novo, o que fez de bom nesse dia. O seu filho vai sentir-se ouvido e sentir que tem um lugar seguro.


- Estimular a autonomia desde cedo: permitir que a criança escolha o que vestir, atribuir-lhe pequenas tarefas – retirar o prato da mesa, guardar os brinquedos e livros, ajudar a estender a roupa. A criança vai sentir-se útil e com responsabilidade!


- Valorizar o tempo ao ar livre e o contacto com a natureza: observar as estrelas, recolherem pedras ou folhas para pintarem juntos, jogar à apanhada. Brincar ao ar livre, diminui a ansiedade, aumenta a criatividade e promove o bem-estar.


- Estabelecer limites: pedir por favor, dizer obrigada, pedir permissão para usar as coisas dos outros, estabelecer horários de refeições e rotinas de sono. Coisas simples permitem sentido de autodisciplina, organização e regras de convivência.


- Celebrar pequenas conquistas do dia-a-dia: vestir-se sem ajuda, amarrar os sapatos, guardar os brinquedos, comer sozinho, arrumar a cama, resolver um conflito com um amigo. Elogie o seu filho, diga-lhe que está orgulhoso, abrace-o. Ele vai sentir-se motivado e com uma maior autoestima. Irá repetir comportamentos positivos se for reforçado positivamente.



Todos nós temos um papel central: proteger sem controlar, orientar sem pressionar, e acompanhar sem substituir. Ao permitir que as crianças brinquem, expressem as suas emoções, tomem decisões adequadas à idade e tenham tempo para explorar o mundo ao seu redor, não estamos apenas a investir na felicidade presente, mas na saúde emocional futura. É um convite à reflexão: deixem as crianças serem crianças, pois é nesse espaço que a verdadeira felicidade floresce.


Referências Bibliográficas

  • Bowlby, J. (1988). A secure base: Parent-child attachment and healthy human development. Basic Books.

  • Diener, E., Oishi, S., & Lucas, R. E. (2017). National accounts of well-being. American Psychologist, 72(4), 234–251. https://doi.org/10.1037/amp0000062

  • Ginsburg, K. R. (2007). The importance of play in promoting healthy child development and maintaining strong parent-child bonds. Pediatrics, 119(1), 182–191. https://doi.org/10.1542/peds.2006-2697

  • OECD. (2019). PISA 2018 results (Volume III): What school life means for students' lives. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/acd78851-en

  • Seligman, M. E. P. (2011). Flourish: A visionary new understanding of happiness and well-being. Free Press.

  • Vygotsky, L. S. (1978). Mind in society: The development of higher psychological processes. Harvard University Press.



Marta Neto |Psicóloga, Cédula Profissional Nº 29547|

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