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Como ensinar as crianças a lidar com a frustração?

Foto do escritor: Viviana Marinho
Viviana Marinho
há 15 horas
3 min de leitura

“Não consigo!” 

“Não quero fazer mais!” 

“Não é justo!” 


Um jogo que não corre como esperado, uma tarefa difícil, um “não” do adulto ou um erro num exercício podem ser suficientes para desencadear choro, irritação ou vontade de desistir. 


Para os adultos, algumas destas situações podem parecer pequenas. Para a criança, naquele momento, podem representar uma emoção difícil de gerir. 


Mas há uma ideia importante: lidar com a frustração não é uma capacidade com que se nasce. É uma competência que se aprende e se desenvolve. 


Afinal, o que é a frustração? 

A frustração aparece quando aquilo que queremos, esperamos ou imaginamos não acontece. 

Pode surgir quando a criança perde um jogo, não consegue realizar uma tarefa à primeira tentativa, tem de esperar pela sua vez ou recebe uma resposta diferente daquela que desejava. 


Sentir frustração é, por isso, completamente natural. 

O objetivo não deve ser criar uma infância sem frustrações, mas ajudar a criança a aprender o que fazer quando elas aparecem. 


Devemos evitar que a criança fique frustrada? 

Nem sempre. 

Quando antecipamos constantemente as dificuldades, resolvemos os problemas pela criança ou evitamos todas as situações que lhe possam causar desconforto, estamos a protegê-la naquele momento, mas podemos estar a retirar-lhe oportunidades importantes de aprendizagem. 


É através de pequenas experiências de frustração, ajustadas à idade e acompanhadas pelo adulto, que a criança começa a descobrir: 

“Isto é difícil, mas consigo lidar com esta sensação.” 


E, mais tarde: 

“Não consegui desta vez, mas posso tentar de outra maneira.” 


Tolerar a frustração não significa deixar a criança sofrer sozinha. Significa acompanhá-la sem retirar imediatamente o obstáculo. 


Porque é que algumas crianças reagem de forma tão intensa? 

As crianças não têm todas a mesma capacidade de autorregulação. 

A idade, o temperamento, o desenvolvimento emocional, o cansaço, a fome, a dificuldade da tarefa ou até experiências anteriores podem influenciar a intensidade da reação. 

Além disso, quando uma criança está emocionalmente muito ativada, pode ter dificuldade em pensar, ouvir explicações ou encontrar soluções. 


É por isso que dizer “não tens razão nenhuma para estar assim” raramente ajuda. 

A emoção pode parecer desproporcional ao adulto, mas é real para a criança. 


O que fazer no momento da frustração? 

Primeiro, ajudar a criança a regular a emoção. 


Antes de procurar soluções, podemos ajudá-la a identificar aquilo que está a sentir: 

“Percebo que estás frustrado porque não conseguiste fazer como querias.” 


Dar um nome à emoção não significa concordar com todos os comportamentos que surgem a partir dela. 


Podemos validar: 

“É normal ficares zangado.” 


E, ao mesmo tempo, estabelecer um limite: 

“Mas não podemos atirar os materiais ao chão.” 


Esta distinção é fundamental: todas as emoções são legítimas, mas nem todos os comportamentos são adequados. 


E depois de a criança se acalmar? 

É aí que começa uma parte muito importante da aprendizagem. 


Podemos ajudá-la a pensar: 

O que aconteceu? O que tentaste fazer? O que não resultou? O que podes experimentar agora? 


Em vez de entregar imediatamente a solução, podemos ajudá-la a encontrar uma alternativa. 

Se uma construção caiu, podemos perguntar: “Como poderíamos fazê-la de outra forma?” 

Se perdeu um jogo: “O que podes fazer quando não ganhas?” 

Se um exercício está difícil: “Qual é a parte que já sabes fazer?” 

A criança começa assim a perceber que encontrar uma dificuldade não significa chegar ao fim das possibilidades. 


Devemos elogiar quando consegue? 

Sim, mas importa perceber o que estamos a elogiar. 


Em vez de valorizar apenas o resultado: 

“Muito bem, conseguiste!” 

podemos destacar o processo: 

“Estava difícil e continuaste a tentar.” “Ficaste frustrado, mas conseguiste acalmar-te.” “A primeira estratégia não resultou e procuraste outra.” 


Desta forma, mostramos à criança que o sucesso não está apenas em acertar. Também está em persistir, ajustar e recuperar perante a dificuldade. 


Os adultos também ensinam através da forma como reagem? 

Muito. 

As crianças observam aquilo que fazemos quando alguma coisa não corre como planeado. 


Se perante um erro reagimos imediatamente com irritação, desistimos ou somos muito críticos connosco próprios, essa também é uma mensagem. 


Podemos, pelo contrário, tornar algumas estratégias visíveis: 

“Isto não correu como eu queria. Vou parar um bocadinho e pensar noutra solução.” 


Não precisamos de reagir sempre perfeitamente. Mostrar que também sentimos frustração e conseguimos regulá-la é uma forma poderosa de ensinar. 


Pequenas frustrações também fazem crescer 

Ensinar uma criança a lidar com a frustração não significa impedir o choro, a zanga ou a desilusão. 

Significa ajudá-la a perceber que essas emoções podem ser sentidas sem tomar conta de tudo o resto. 


Ao longo do tempo, cada pequena experiência pode ajudá-la a construir uma mensagem interna diferente: 

“Não consegui ainda.” “Posso tentar de outra forma.” “Posso pedir ajuda.” “Consigo ultrapassar este momento.” 


Porque preparar uma criança para a vida não passa por garantir que tudo lhe corre bem. 

Passa também por lhe dar ferramentas para saber o que fazer quando não corre. 

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