Comparações escolares: ajudam ou prejudicam?

“O teu irmão, com a tua idade, tinha melhores notas.”
“Viste quanto teve o teu colega?”
“Se os outros conseguem, porque é que tu não consegues?”
Muitas destas frases são ditas com uma intenção positiva: incentivar, mostrar que é possível fazer melhor ou levar uma criança ou jovem a esforçar-se mais.
Mas será que comparar realmente motiva?
Quando falamos de aprendizagem, a comparação pode ter um efeito muito diferente daquele que esperamos.
“Mas comparar não pode fazê-lo querer melhorar?”
Pode, em alguns momentos, provocar uma reação imediata: estudar mais para o próximo teste, tentar superar um colega ou querer alcançar determinada nota.
O problema está na mensagem que pode ficar por detrás dessa motivação:
“Para ser bom, tenho de ser melhor do que alguém.”
Quando isto acontece repetidamente, o foco deixa de estar na aprendizagem e passa para o desempenho dos outros.
Em vez de pensar “o que posso melhorar?”, a criança começa a perguntar:
“Sou tão bom como eles?”
E são perguntas muito diferentes.
Nem todas as crianças começam no mesmo ponto
Na mesma turma encontramos alunos com diferentes ritmos de aprendizagem, experiências, interesses, competências e necessidades.
Dois alunos podem obter exatamente a mesma nota e ter feito percursos completamente diferentes para chegar até ela.
Para uma criança, passar de um resultado negativo para um suficiente pode representar um enorme progresso. Para outra, a mesma classificação pode estar abaixo daquilo que habitualmente consegue alcançar.
Olhar apenas para quem teve a nota mais alta ignora uma parte essencial da aprendizagem: o percurso individual.
Quando a comparação começa a afetar a confiança
Imagine uma criança que ouve frequentemente:
“A tua irmã sempre foi melhor aluna.”
Mesmo que a intenção seja motivá-la, aquilo que pode começar a construir é uma identidade:
“Ela é a inteligente. Eu sou aquele que tem dificuldades.”
Com o tempo, estas comparações podem influenciar a forma como a criança interpreta as próprias capacidades.
Quando acredita que os outros são “naturalmente melhores”, pode começar a pensar que o seu esforço pouco irá mudar.
E é aqui que a comparação, em vez de aproximar a criança do objetivo, pode afastá-la:
“Se nunca vou ser tão bom, para quê tentar?”
E comparar notas entre colegas?
“Quanto tiveste?”
É provavelmente uma das perguntas mais ouvidas depois de um teste.
Comparar resultados entre colegas faz parte da vida escolar e não é possível — nem necessário — eliminar todas as comparações.
A questão está no peso que lhes atribuímos.
Uma nota dá informação sobre um determinado desempenho num determinado momento. Não nos diz quem é mais inteligente, quem terá mais sucesso ou quem possui maior valor.
Quando as classificações se transformam constantemente numa competição, o sucesso de um colega pode começar a ser sentido como uma ameaça em vez de uma oportunidade para aprender.
Então, com quem devemos comparar uma criança?
Sempre que possível, com ela própria.
“Na última vez precisaste de muita ajuda e agora já conseguiste fazer esta parte sozinho.”
“Antes demoravas muito tempo a começar e hoje conseguiste organizar-te melhor.”
“Esta matéria ainda está difícil, mas olha para aquilo que já conseguiste aprender.”
Este tipo de comparação ajuda a tornar o progresso visível.
Não significa ignorar aquilo que ainda precisa de melhorar ou deixar de estabelecer objetivos. Significa avaliar a evolução tendo em conta o ponto de partida da própria criança.
O que podemos dizer em vez de comparar?
Em vez de:
“O teu colega teve 90%. Tens de te esforçar mais.”
Podemos perguntar:
“Estás satisfeito com o teu resultado?”
“O que correu bem?”
“Onde sentiste mais dificuldade?”
“O que podes fazer de forma diferente da próxima vez?”
Assim, a atenção regressa àquilo que a criança pode controlar: as suas estratégias, o esforço, as escolhas e os próximos passos.
A referência deve ser o progresso, não a posição
Haverá sempre alguém que aprende mais depressa, que obtém uma nota superior ou que demonstra maior facilidade numa determinada área.
Se ensinarmos uma criança a medir o seu valor através da posição que ocupa em relação aos outros, haverá sempre uma nova comparação a fazer.
Se a ensinarmos a reconhecer o próprio progresso, ajudamo-la a construir uma referência muito mais estável:
“Onde estava, onde estou e qual é o próximo passo?”
Comparar não é sempre prejudicial. Pode ajudar-nos a estabelecer referências e a perceber onde estamos. Mas, quando se transforma na principal medida de sucesso, pode alimentar insegurança, competição e desmotivação.
Porque o objetivo da aprendizagem não deveria ser criar crianças preocupadas em ser melhores do que os outros.
Deveria ser ajudá-las a descobrir que conseguem ser melhores do que eram ontem.


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