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Comparações escolares: ajudam ou prejudicam?

Foto do escritor: Viviana Marinho
Viviana Marinho
há 10 minutos
3 min de leitura

“O teu irmão, com a tua idade, tinha melhores notas.”

“Viste quanto teve o teu colega?”

“Se os outros conseguem, porque é que tu não consegues?”


Muitas destas frases são ditas com uma intenção positiva: incentivar, mostrar que é possível fazer melhor ou levar uma criança ou jovem a esforçar-se mais.


Mas será que comparar realmente motiva?

Quando falamos de aprendizagem, a comparação pode ter um efeito muito diferente daquele que esperamos.


“Mas comparar não pode fazê-lo querer melhorar?”

Pode, em alguns momentos, provocar uma reação imediata: estudar mais para o próximo teste, tentar superar um colega ou querer alcançar determinada nota.


O problema está na mensagem que pode ficar por detrás dessa motivação:

  • “Para ser bom, tenho de ser melhor do que alguém.”

Quando isto acontece repetidamente, o foco deixa de estar na aprendizagem e passa para o desempenho dos outros.

Em vez de pensar “o que posso melhorar?”, a criança começa a perguntar:

  • “Sou tão bom como eles?”

E são perguntas muito diferentes.


Nem todas as crianças começam no mesmo ponto

Na mesma turma encontramos alunos com diferentes ritmos de aprendizagem, experiências, interesses, competências e necessidades.


Dois alunos podem obter exatamente a mesma nota e ter feito percursos completamente diferentes para chegar até ela.

Para uma criança, passar de um resultado negativo para um suficiente pode representar um enorme progresso. Para outra, a mesma classificação pode estar abaixo daquilo que habitualmente consegue alcançar.


Olhar apenas para quem teve a nota mais alta ignora uma parte essencial da aprendizagem: o percurso individual.


Quando a comparação começa a afetar a confiança

Imagine uma criança que ouve frequentemente:

  • “A tua irmã sempre foi melhor aluna.”

Mesmo que a intenção seja motivá-la, aquilo que pode começar a construir é uma identidade:

  • “Ela é a inteligente. Eu sou aquele que tem dificuldades.”

Com o tempo, estas comparações podem influenciar a forma como a criança interpreta as próprias capacidades.


Quando acredita que os outros são “naturalmente melhores”, pode começar a pensar que o seu esforço pouco irá mudar.

E é aqui que a comparação, em vez de aproximar a criança do objetivo, pode afastá-la:

  • “Se nunca vou ser tão bom, para quê tentar?”


E comparar notas entre colegas?

“Quanto tiveste?”

É provavelmente uma das perguntas mais ouvidas depois de um teste.

Comparar resultados entre colegas faz parte da vida escolar e não é possível — nem necessário — eliminar todas as comparações.


A questão está no peso que lhes atribuímos.

Uma nota dá informação sobre um determinado desempenho num determinado momento. Não nos diz quem é mais inteligente, quem terá mais sucesso ou quem possui maior valor.


Quando as classificações se transformam constantemente numa competição, o sucesso de um colega pode começar a ser sentido como uma ameaça em vez de uma oportunidade para aprender.


Então, com quem devemos comparar uma criança?

Sempre que possível, com ela própria.

  • “Na última vez precisaste de muita ajuda e agora já conseguiste fazer esta parte sozinho.”

  • “Antes demoravas muito tempo a começar e hoje conseguiste organizar-te melhor.”

  • “Esta matéria ainda está difícil, mas olha para aquilo que já conseguiste aprender.”

Este tipo de comparação ajuda a tornar o progresso visível.


Não significa ignorar aquilo que ainda precisa de melhorar ou deixar de estabelecer objetivos. Significa avaliar a evolução tendo em conta o ponto de partida da própria criança.


O que podemos dizer em vez de comparar?

Em vez de:

  • “O teu colega teve 90%. Tens de te esforçar mais.”

Podemos perguntar:

  • “Estás satisfeito com o teu resultado?”

  • “O que correu bem?”

  • “Onde sentiste mais dificuldade?”

  • “O que podes fazer de forma diferente da próxima vez?”

Assim, a atenção regressa àquilo que a criança pode controlar: as suas estratégias, o esforço, as escolhas e os próximos passos.


A referência deve ser o progresso, não a posição

Haverá sempre alguém que aprende mais depressa, que obtém uma nota superior ou que demonstra maior facilidade numa determinada área.


Se ensinarmos uma criança a medir o seu valor através da posição que ocupa em relação aos outros, haverá sempre uma nova comparação a fazer.


Se a ensinarmos a reconhecer o próprio progresso, ajudamo-la a construir uma referência muito mais estável:

  • “Onde estava, onde estou e qual é o próximo passo?”

Comparar não é sempre prejudicial. Pode ajudar-nos a estabelecer referências e a perceber onde estamos. Mas, quando se transforma na principal medida de sucesso, pode alimentar insegurança, competição e desmotivação.


Porque o objetivo da aprendizagem não deveria ser criar crianças preocupadas em ser melhores do que os outros.

Deveria ser ajudá-las a descobrir que conseguem ser melhores do que eram ontem.

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