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Cyberbullying: sinais de alerta e estratégias de prevenção

  • Foto do escritor: Marta Neto
    Marta Neto
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

O mundo digital trouxe inúmeras oportunidades de aprendizagem, comunicação e socialização para crianças e adolescentes. No entanto, também deu origem a novos desafios, entre os quais o cyberbullying, uma realidade cada vez mais frequente e com um impacto significativo no bem-estar emocional e no desenvolvimento dos mais jovens.

 

Ao contrário do bullying tradicional, o cyberbullying pode acontecer a qualquer hora do dia, ultrapassando os limites físicos da escola e do recreio. Uma mensagem ofensiva, a partilha de uma fotografia sem consentimento ou a exclusão deliberada de um grupo online podem acompanhar a vítima para dentro de casa, tornando mais difícil encontrar um espaço seguro e protegido.

 

O que é o cyberbullying?

 

O cyberbullying consiste na utilização das tecnologias digitais para intimidar, humilhar, ameaçar, excluir ou prejudicar outra pessoa, de forma intencional e repetida. Pode ocorrer através das redes sociais, aplicações de mensagens, videojogos online, fóruns ou qualquer outra plataforma digital.

 

Entre os comportamentos mais comuns encontram-se:

 

  • Envio de mensagens ofensivas ou ameaçadoras;

  • Divulgação de rumores ou informações falsas;

  • Partilha de fotografias ou vídeos sem autorização;

  • Criação de perfis falsos para humilhar ou enganar alguém;

  • Exclusão deliberada de grupos online;

  • Comentários depreciativos ou humilhantes em publicações;

  • Chantagem ou pressão psicológica através dos meios digitais.

 

 

 

O que nos diz a Psicologia?

 

A investigação em Psicologia tem demonstrado que o cyberbullying pode ter consequências emocionais semelhantes e, por vezes, mais intensas do que o bullying presencial. As vítimas apresentam maior probabilidade de desenvolver sintomas de ansiedade, tristeza persistente, baixa autoestima, dificuldades de concentração e problemas no desempenho escolar.

 

Um dos aspetos mais preocupantes do cyberbullying é a sensação de que "não há como escapar". Enquanto o bullying tradicional costuma ocorrer em determinados contextos, o cyberbullying acompanha a criança ou o adolescente através do telemóvel ou do computador, podendo gerar um estado constante de alerta e insegurança.

 

Além disso, o aparente anonimato proporcionado pela internet pode reduzir a perceção das consequências dos comportamentos agressivos, aumentando a probabilidade de alguns jovens participarem em situações de intimidação digital sem compreenderem totalmente o impacto das suas ações.

 

Nem sempre as crianças e os adolescentes falam abertamente sobre aquilo que estão a viver no ambiente digital. Por isso, pais e professores devem estar atentos a algumas mudanças comportamentais.

 

Sinais de alerta que não podem ser ignorados:

Em casa:

  • Evita utilizar o telemóvel ou demonstra desconforto sempre que recebe notificações;

  • Fica triste, ansioso ou irritado após utilizar dispositivos eletrónicos;

  • Mostra receio em falar sobre a sua atividade online;

  • Apresenta alterações do sono ou do apetite;

  • Demonstra isolamento social ou perda de interesse em atividades que antes apreciava;

  • Tem crises de choro ou manifesta baixa autoestima;

  • Pede frequentemente para faltar à escola ou evita determinadas situações sociais;

 

Na escola

  • Diminuição do rendimento escolar;

  • Falta de concentração nas aulas;

  • Maior irritabilidade ou tristeza;

  • Isolamento dos colegas;

  • Mudanças súbitas no comportamento;

  • Aumento das faltas escolares;

  • Dificuldades na participação em trabalhos de grupo ou atividades sociais.

  • Fatores que aumentam a vulnerabilidade

 

Qualquer criança ou adolescente pode ser vítima de cyberbullying.

No entanto, algumas características podem aumentar a vulnerabilidade, tais como:

 

  • Dificuldades na integração social;

  • Baixa autoestima;

  • Utilização excessiva das redes sociais sem supervisão adequada;

  • Dificuldades na gestão emocional;

  • Necessidade de maior aceitação social por parte dos pares.

 

Importa salientar que a responsabilidade nunca é da vítima. O cyberbullying resulta sempre de um comportamento inadequado por parte de quem agride.

 

Como prevenir o cyberbulling?

A prevenção começa muito antes de surgir um problema. O desenvolvimento de competências socioemocionais e digitais desempenha um papel fundamental na proteção das crianças e dos adolescentes.

 

Estratégias para os pais:

  • Promova um diálogo aberto sobre o mundo digital e as redes sociais;

  • Demonstre interesse pelas aplicações e plataformas que o seu filho utiliza;

  • Estabeleça regras claras para a utilização dos dispositivos eletrónicos;

  • Ensine a importância da privacidade e da proteção dos dados pessoais;

  • Incentive a criança a pedir ajuda sempre que se sentir desconfortável online;

  • Evite uma abordagem exclusivamente punitiva, privilegiando a comunicação e a confiança.

 

Estratégias para os professores:

  • Desenvolva atividades de educação digital e cidadania online;

  • Promova um ambiente escolar seguro e inclusivo;

  • Sensibilize os alunos para as consequências do cyberbullying;

  • Incentive a empatia e o respeito pelas diferenças;

  • Esteja atento a alterações comportamentais nos alunos;

  • Facilite a comunicação entre escola e família sempre que surgirem sinais de alerta.

 

O que fazer se suspeitar de cyberbullying?

 

Se uma criança ou adolescente revelar que está a ser vítima de cyberbullying, é importante:

 

  • Escutar sem julgar ou minimizar a situação;

  • Validar as emoções da criança;

  • Guardar provas das mensagens, comentários ou imagens partilhadas;

  • Bloquear os utilizadores envolvidos, sempre que possível;

  • Informar a escola, caso existam colegas envolvidos;

  • Procurar apoio psicológico quando o impacto emocional for significativo;

  • Acompanhar a situação de forma próxima e consistente;

 

 

 

Conclusão:

O cyberbullying não é apenas um problema tecnológico, mas sobretudo um fenómeno humano e relacional. Educar para a empatia, para o respeito e para uma utilização consciente das tecnologias continua a ser uma das estratégias mais eficazes de prevenção.

 

Pais e professores têm um papel fundamental na criação de ambientes seguros, tanto no mundo real como no digital. Uma criança que sabe que será escutada, compreendida e apoiada terá maior probabilidade de pedir ajuda quando precisar.

Mais do que ensinar a utilizar a tecnologia, importa ensinar a utilizá-la com responsabilidade, respeito e consciência do impacto que as nossas ações podem ter na vida dos outros.

 

Marta Neto |Cédula Profissional OPP-29547|

 

Referências Bibliográficas

  • Hinduja, S., & Patchin, J. W. (2015). Bullying Beyond the Schoolyard: Preventing and Responding to Cyberbullying (2.ª ed.). Corwin Press.

  • Kowalski, R. M., Limber, S. P., & Agatston, P. W. (2012). Cyberbullying: Bullying in the Digital Age (2.ª ed.). Wiley-Blackwell.

  • UNICEF. (2023). Cyberbullying: What is it and How to Stop It.

  • World Health Organization. (2024). Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) Study – International Report.

  • UNESCO. (2023). Behind the Numbers: Ending School Violence and Bullying.

  • American Psychological Association. (2023). Protecting Your Teen from Cyberbullying.

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