• Alexandra Gomes

A Sentir também se aprende – A Inteligência Emocional e a Educação em tempos de Pandemia

A Escola: o “templo do saber” dedicado à criança e ao jovem; uma oportunidade que estes têm para desenvolver as dimensões do SER, do TER e do FAZER.


Idealmente, é esperado que a Escola permita ao aluno TER competências técnicas para, mais tarde, colocá-las ao serviço da sua prática profissional; FAZER o que deve ser feito para ser um aluno de sucesso (estar atento, ser disciplinado, participar nas aulas, consolidar conhecimentos em casa, etc..) e SER um Humano Autêntico na sua especificidade, com vontade própria e confiante nas escolhas que faz, com o propósito Universal de SER FELIZ.


Esta é a tela ideal percecionada na Escola.


Contudo, na realidade, recorrendo às palavras do professor Lucas Rocha (2019), “a escola que temos forma jovens “mancos” que podem ser ótimos em Cálculo e Biologia, mas são emocionalmente frágeis”.


De facto, ainda hoje, nos tempos incertos que o mundo vivencia, devido à Pandemia do COVID-19, assiste-se a um esforço geral em dotar os alunos de ferramentas técnicas que expliquem o funcionamento do mundo. Mas este, torna-se um esforço hercúleo, na medida em que o medo, a falta de afetos, os “nãos” permanentes, a imprevisibilidade, a saturação, a desconfiança e a desesperança pautam o dia a dia de cada um, dificultando a tão desejada aprendizagem de sucesso.

Na realidade, somos seres racionais, com facilidade geral em efetuar cálculos complexos, e detentores de um sistema emocional que contrasta com o próprio intelecto. Assim, o sucesso não depende apenas das metodologias e das competências técnicas adotadas, mas também das competências emocionais de cada um.


De facto, as emoções são parte integrante do Ser Humano; este pode tentar ignorá-las mas, mais cedo ou mais tarde, e de forma menos saudável e adequada, elas manifestam-se. E esta é a sua natureza!


É neste sentido que os autores Mayer, Salovey e Caruso (2002), apresentam o conceito de Inteligência Emocional, como sendo uma forma de inteligência que combina as emoções e o pensamento, traduzindo-se em quatro áreas de habilidade emocional: a perceção e expressão emocional, a facilitação emocional do pensamento, a compreensão emocional e a administração emocional.


As Emoções e Pensamento são dois construtos inevitáveis do Ser Humano e por isso devem desenvolver-se lado a lado, sob uma premissa de cooperação, colaboração e influência mútua.

Então, a Pandemia de COVID-19, pode ser a oportunidade para unificar a Inteligência Emocional e a Educação, na promoção do sucesso pessoal dos nossos alunos.

Referências de interesse:

Bisquerra, R. (2009). Psicopedagogia de Las Emocionnes. Madrid: Sintesis.

Caruso, D. R. & Salovey, P. (2007). Liderança com Inteligência Emocional – liderando e administrando com

competências e eficácia. São Paulo: M. Books Editora.

Queirós, M. (2016). Inteligência Emocional – Aprenda a Ser Feliz. Porto: Porto Editora.

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