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Burnout académico em adolescentes: quando o cansaço vai além de “estar farto de estudar.

Foto do escritor: Viviana Marinho
Viviana Marinho
há 15 horas
3 min de leitura

“Já não consigo.” 

“Não me apetece estudar.” 

“Por mais que faça, nunca é suficiente.” 


Estas frases podem surgir ocasionalmente na vida de qualquer adolescente, sobretudo em períodos de testes, trabalhos e maior exigência escolar. Mas quando o cansaço se prolonga, a motivação desaparece e a escola começa a ser vivida como uma fonte constante de pressão, pode ser importante olhar para além daquilo que, à primeira vista, parece apenas falta de vontade. 


Podemos estar perante sinais de burnout académico. 


O que é o burnout académico? 

O burnout académico corresponde a um estado de esgotamento físico e emocional associado às exigências escolares. Não acontece simplesmente porque um adolescente teve uma semana difícil ou está cansado depois de estudar para vários testes. 


Surge quando o stress académico se torna intenso e prolongado e o jovem sente que os seus recursos já não são suficientes para responder àquilo que lhe é exigido. 


Pode manifestar-se através de três dimensões importantes: exaustão, um crescente distanciamento ou desinteresse pela escola e uma sensação de ineficácia, como se todo o esforço realizado nunca fosse suficiente. 


Que sinais devem deixar os adultos atentos? 

Nem sempre um adolescente consegue dizer “estou sobrecarregado”. Muitas vezes, comunica através do comportamento. 


Podem surgir sinais como: 

  • cansaço frequente, mesmo depois de descansar; 

  • perda de motivação para estudar ou frequentar a escola; 

  • irritabilidade e alterações de humor; 

  • dificuldade em concentrar-se; 

  • procrastinação e dificuldade em iniciar tarefas; 

  • ansiedade perante testes, trabalhos ou avaliações; 

  • alterações no sono; 

  • sensação constante de não ser suficientemente bom; 

  • diminuição do rendimento escolar; 

  • afastamento de atividades de que anteriormente gostava. 

Um destes comportamentos isoladamente não significa necessariamente burnout. O mais importante é observar a frequência, a intensidade e o impacto que estas mudanças estão a ter na vida do adolescente. 


Mas se deixou de estudar, não será simplesmente falta de responsabilidade? 

Nem sempre. 

Um adolescente em situação de sobrecarga pode começar a evitar precisamente aquilo que mais o preocupa. Quanto maior é a quantidade de tarefas acumuladas, maior pode ser a dificuldade em começar. E quanto mais adia, maior se torna a ansiedade. 


Cria-se facilmente um ciclo: 


Exigência → stress → cansaço → dificuldade em estudar → tarefas acumuladas → culpa → ainda mais stress. 


Por isso, aumentar a pressão nem sempre produz mais esforço. Em determinados momentos, pode produzir exatamente o contrário. 


O que pode contribuir para o burnout académico? 

Raramente existe uma única causa. 

Uma carga escolar elevada, expectativas muito altas, medo de falhar, perfeccionismo, comparação com os colegas, dificuldade em organizar o estudo e falta de momentos reais de descanso podem contribuir para uma sensação progressiva de sobrecarga. 


Também importa olhar para aquilo que o próprio adolescente exige de si. 


Há jovens que não precisam que ninguém lhes diga que têm de ter boas notas. Já colocam essa pressão sobre si próprios. Um resultado abaixo do esperado pode ser vivido não como uma dificuldade pontual, mas como uma prova de que “não são suficientemente bons”. 


É aqui que o desempenho escolar começa perigosamente a confundir-se com o valor pessoal. 


Como podemos ajudar? 

O primeiro passo é escutar antes de corrigir. 


Em vez de começar por “Tens de te esforçar mais”, pode ser mais útil perguntar: 

“O que está a ser mais difícil para ti neste momento?” 


Depois, é importante ajudar o adolescente a recuperar alguma sensação de controlo. Organizar prioridades, dividir tarefas grandes em objetivos mais pequenos, estabelecer períodos de estudo realistas e garantir momentos de descanso pode fazer uma diferença significativa. 


Também devemos ajudá-lo a compreender que descansar não é perder tempo. Sono, lazer, atividade física, relações sociais e momentos sem exigências académicas fazem parte de um funcionamento saudável e contribuem para a própria aprendizagem. 


E, acima de tudo, importa transmitir uma mensagem clara: 

Uma nota avalia um desempenho num determinado momento. Não define a inteligência, a capacidade ou o valor de uma pessoa. 


Quando procurar ajuda? 

Quando o cansaço, a ansiedade, a desmotivação ou as alterações de comportamento persistem e começam a interferir significativamente na escola, nas relações, no sono ou no bem-estar do adolescente, é importante procurar apoio especializado. 


Não precisamos de esperar que o jovem chegue ao limite para reconhecer que está a ser demasiado. 


Por vezes, antes de perguntarmos “Como podemos fazê-lo produzir mais?”, precisamos de perguntar: 

“Quanto é que ele já está a carregar?” 


Porque ajudar um adolescente a ter sucesso não significa apenas ensiná-lo a alcançar resultados. Significa também ensiná-lo a crescer sem sentir que precisa de se esgotar para provar aquilo de que é capaz. 

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