top of page

O impacto da relação professor-aluno na motivação

Foto do escritor: Viviana Marinho
Viviana Marinho
há 11 minutos
4 min de leitura

“Com este professor até tenho vontade de aprender.”

“Não gostava da disciplina, mas este ano estou a perceber tudo.”

“Tenho medo de perguntar porque ele vai achar que eu devia saber.”


Provavelmente, todos conseguimos recordar um professor que marcou o nosso percurso escolar. Talvez não nos lembremos de todas as matérias que ensinou, mas lembramo-nos de como nos fazia sentir dentro daquela sala de aula.

E isso não é um detalhe.


A relação que se estabelece entre professor e aluno pode influenciar a forma como este participa, enfrenta dificuldades, pede ajuda e, sobretudo, a sua motivação para aprender.


Porque é que a relação com o professor influencia a aprendizagem?

Aprender implica exposição.

É preciso admitir que não sabemos, fazer perguntas, experimentar respostas, cometer erros e aceitar ser corrigido. Para uma criança ou jovem, tudo isto é mais fácil quando sente que está num ambiente em que pode fazê-lo sem receio de ser ridicularizado ou constantemente julgado.


Um professor que demonstra disponibilidade, estabelece limites claros, escuta e transmite confiança pode contribuir para que o aluno se sinta mais seguro para participar.


E quando existe segurança, torna-se mais fácil arriscar:

  • “Não tenho a certeza, mas vou tentar.”

Esta pequena frase representa muito do que queremos que aconteça numa sala de aula.

“Mas o professor está lá para ensinar, não para ser amigo dos alunos.”

Sem dúvida.


Uma relação positiva entre professor e aluno não significa ausência de regras, exigência ou autoridade. Pelo contrário, as crianças e jovens também precisam de adultos consistentes, previsíveis e capazes de estabelecer limites.


O que faz a diferença é a forma como essa exigência é transmitida.


É possível corrigir sem humilhar.É possível estabelecer limites sem desvalorizar.É possível exigir mais e, simultaneamente, transmitir: “Eu acredito que és capaz de chegar lá.”


A proximidade não retira autoridade ao professor. Quando equilibrada com limites claros, pode tornar essa autoridade mais significativa.


Quando um aluno acredita que “não é bom” numa disciplina

Uma experiência repetida de insucesso pode alterar rapidamente a relação de um aluno com uma disciplina.

Depois de várias dificuldades, pode começar a pensar:

  • “Eu não sou bom a Matemática.”

  • “Nunca vou conseguir escrever bem.”

  • “Não vale a pena tentar.”

É aqui que a relação com o professor pode assumir particular importância.


Um adulto que consegue reconhecer progressos, ajustar o apoio e mostrar ao aluno que uma dificuldade atual não define a sua capacidade pode ajudar a quebrar esta perceção.


Por vezes, uma frase tão simples como “ainda não consegues, vamos perceber onde está a dificuldade” muda completamente a mensagem.

Deixa de existir um ponto final e passa a existir um caminho.


Sentir-se visto também motiva

Numa sala com muitos alunos, reconhecer cada um individualmente é um enorme desafio. Mas pequenos gestos podem ter um impacto significativo.


Saber o nome. Perguntar como correu algo importante. Reconhecer uma melhoria. Reparar quando um aluno está mais calado do que habitualmente. Dar-lhe tempo para responder.


Para um adulto podem parecer pequenos momentos. Para uma criança, podem significar:

  • “O meu professor vê-me.”

Sentir que o esforço é reconhecido e que existe alguém interessado no nosso progresso pode aumentar o envolvimento com a aprendizagem.


E quando a relação não é positiva?

Nem todos os professores e alunos vão criar uma ligação próxima, e isso é natural.

O problema surge quando a relação fica marcada por conflitos frequentes, medo, expectativas negativas ou pela sensação de que, independentemente daquilo que faça, o aluno já está “rotulado”.


Um aluno que sente que o professor espera pouco dele pode progressivamente começar a esperar pouco de si próprio.

Da mesma forma, quando acredita que será criticado sempre que participar, pode optar pelo silêncio. Quando sente que apenas os erros são reconhecidos, pode deixar de arriscar.


Aquilo que parece desinteresse pode, por vezes, ser uma forma de proteção.


A motivação não nasce apenas dentro do aluno

É frequente ouvirmos:

  • “Ele simplesmente não está motivado.”

Mas a motivação não é uma característica fixa que uma criança tem ou não tem. É influenciada pelas experiências, pelo sentimento de competência, pelas expectativas, pelas relações e pelo significado que atribuímos àquilo que fazemos.

O professor não é o único responsável pela motivação de um aluno, mas pode ser uma das pessoas com maior capacidade para a alimentar.


Não através de elogios constantes ou facilitando todas as tarefas, mas criando oportunidades para que o aluno experimente algo essencial:

  • “Eu consigo aprender.”


Há professores que ensinam muito mais do que uma disciplina

Um aluno pode esquecer uma fórmula, uma data ou um conteúdo que aprendeu num determinado ano.

Mas dificilmente esquece o professor que acreditou nele numa altura em que ele próprio começava a duvidar.


A relação professor-aluno não substitui boas práticas pedagógicas, conhecimento científico ou estratégias de ensino adequadas. Potencia-as.


Porque ensinar não acontece apenas quando transmitimos conhecimento. Acontece também quando criamos condições para que alguém tenha vontade de o receber.


E talvez uma das marcas mais importantes que um professor pode deixar num aluno seja esta:

“Aqui posso não saber. Posso perguntar. Posso errar. E posso aprender.”

Comentários


Subscreva a nossa maillinglist e fique a par de todos os artigos capacitação, novidades  e workshops!

Cópia de capacitaçao Escolas.png
bottom of page