• Alexandra Gomes

Controlo de impulsos e promoção da autonomia para uma aprendizagem de sucesso

O controlo da impulsividade e a promoção da autonomia nas crianças é determinante para a obtenção de sucesso nas suas aprendizagens formais e informais. Por detrás destas duas competências está o exercício de três importantes funções executivas: o controlo inibitório, a memória de trabalho e a flexibilidade cognitiva. Segundo a Psicomotricista Beatriz Pereira (2021), as funções executivas devem ser potenciadas no quotidiano da criança, nas suas rotinas e tarefas diárias. Neste contexto, a autora partilha algumas estratégias que os educadores devem desenvolver na interação com a criança. Na promoção do “Controlo Inibitório” os educadores devem:

  1. Ajudar a criança a saber esperar por algo;

  2. Não ceder em todas as idas ao supermercado, com a compra de brinquedos ou doces e guloseimas. Neste caso específico, é importante gerir antecipadamente com a criança, o número de vezes e o valor em que lhe é dado algo e em que condições o faz, promovendo a sensação de reforço positivo por algo que tenha conseguido, por exemplo, e;

  3. Evitar utilizar as Novas Tecnologias como baby-sitter ou como única forma de “negociação” pelas tarefas realizadas. Quanto maior for a dependência das Novas Tecnologias, menor é o controlo emocional da criança.

Para ajudar a desenvolver a Memória do Trabalho da criança, isto é, a sua capacidade de armazenamento temporário de informação, tão importante para a realização de tarefas do dia a dia, os educadores devem:

  1. Ajudar a criança a arrumar os brinquedos no respetivo lugar, para, posteriormente, motivar a criança a fazê-lo sozinha;

  2. Recordar experiências vividas em família e ajudar a memorizar dois produtos a comprar no supermercado, por exemplo;

  3. Colaborar com a criança na identificação dos erros nos trabalhos de casa e as formas de resolução dos mesmos.

Por último, o desenvolvimento da flexibilidade cognitiva da criança passa pelo auxílio dos pais, nos seguintes momentos:

  1. Perante um desafio, permitir à criança que esta expresse uma forma que considere mais adequada para a superação desse desafio. Por exemplo: “Viraste o leite na mesa… O que deves fazer?”

  2. Criar momentos de tomadas de decisão, nas pequenas tarefas diárias. Por exemplo: escolha da roupa, inicialmente, entre duas peças, ou mais.

  3. Pedir a ajuda da criança na confeção de um prato para uma refeição, na leitura da receita, por exemplo.


Desta forma, a participação da criança nas rotinas diárias familiares contribui o desenvolvimento das suas funções executivas, à medida que vai evoluindo na sua responsabilidade, no sentido de respeito e nas suas autonomia e empatia.

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