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  • Foto do escritorAlexandra Gomes

Crianças Desafiantes: como educar sem gritar*

Nos dias de hoje, aliado à hiperatividade quotidiana, ao stresse laboral e aos cuidados familiares e da casa, estão os comportamentos desafiadores dos filhos. Desde o resistir a tomar banho, até ao demorar a sair do banho, passando pela resistência em comer e as dificuldades em adormecer, tudo são condutas que gastam (as já poucas) reservas dos pais, no final do dia.


Neste contexto, os pais veem a sua paciência diminuída e a sua tolerância para com os filhos rarefeita.


Nestes momentos, o tom de voz é levantado para pedir a colaboração da criança, chamar a sua atenção ou mandar que pare de fazer alguma coisa. Como poucas vezes resulta, vem o arrependimento pelo aumento do tom de voz, a gritaria associada e até a “palmadinha”.

Como conseguir então, inverter o comportamento e lidar com a atitude desafiadora dos filhos, sem gritar?


Segundo a Pedagoga e Educadora Parental Helen Karlen, antes de mais, é importante compreender a causa desses comportamentos, os quais, frequentemente, são próprios da fase desenvolvimental em que a criança se encontra – imaturidade emocional. Em seguida, há que acolher e validar os sentimentos da criança e ter empatia por ela.


Quando a criança se sente compreendida torna-se mais disponível para o adulto, para escutar e acolher o que ele diz.

Segundo a Pedagoga Larisse Garcia de Barros, os comportamentos desafiantes das crianças são o reflexo de sentimentos de frustração, cansaço, fome, sono e, por vezes, da falta de conexão com os pais, pela ausência de tempo de qualidade com eles. Para a Pedagoga, a frustração, o cansaço ou a raiva, geradores destes comportamentos, tornam-nos essenciais para o amadurecimento saudável das crianças.


Compreendendo a causa destes comportamentos, lidar com as crianças sem gritar, deve ser substituído pela respiração para manter a calma e então conectarem-se com elas.


Por sua vez, de acordo com Helen Karlen, vários podem ser os motivos que potenciam a manifestação da menor tolerância dos pais, perante os comportamentos desafiantes das crianças. Estes são a acumulação de tarefas, as dificuldades no relacionamento do casal, o cansaço físico, a super-preocupação, as expectativas além da maturidade da criança, entre outros.

Larisse Garcia de Barros propõe uma ferramenta que, perante estes comportamentos infantis, os pais devem adotar: a chamada “pausa positiva”. Esta ferramenta consiste no afastamento dos pais no momento de tensão com a criança, como forma de autorregulação, para controlar a raiva e manter a calma.


E como o fazer?


Naturalmente dizer à criança que estão com raiva e que se vão afastar para não gritarem com ela. Assim que estiverem mais calmos devem retomar e conversar com a criança sobre o sucedido.


Quando as crianças são educadas à base de gritos desenvolvem problemas significativos no seu desenvolvimento, na sua personalidade e no seu humor; tornam-se crianças ansiosas, instáveis emocionalmente, em permanente medo, com baixa autoconfiança e com dificuldades de concentração.


Por outro lado, para que as crianças sejam mais confiantes, responsáveis, seguras e estáveis emocionalmente, o comportamento dos pais, sendo o modelo primário para as crianças, deve ter as seguintes particularidades:

- Baixar-se à altura das crianças e olhá-las nos olhos, para se conectarem com elas;

- Falar num tom de voz calmo, sereno e pedir “por favor”;

- Avisar com antecedência o fim de uma atividade e comunicar outra atividade que a criança fará em seguida, e;

- Ouvir e entender as necessidades da criança.


Quando adotam a escuta empática e uma educação respeitosa, os pais contribuem para que as crianças os escutem, confiem no que dizem e aceitem as suas indicações. Desta forma, sentem-se crianças pertencentes e importantes.

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