• Alexandra Gomes

Encontrar a felicidade e saber estar feliz

Certo dia, um mercador enviou o seu filho para aprender o segredo da felicidade, para junto do homem mais sábio do mundo.

O rapaz andou pelo deserto durante 40 dias e, finalmente, chegou a um belo castelo, no alto de uma montanha, o local onde morava o sábio.


Em vez de encontrar um homem santo, ao entrar na sala principal do castelo, o rapaz viu um ramo de atividade: comerciantes entravam e saíam, pessoas conversavam pelos cantos, uma pequena orquestra tocava melodias suaves e havia uma mesa coberta de pratos da comida mais deliciosa! O homem sábio conversava com todos e o rapaz teve de esperar duas horas para ter a atenção do homem.


O sábio ouviu atentamente o motivo da ida do rapaz ao castelo, mas logo lhe disse que não tinha tempo para lhe explicar o segredo da felicidade. Sugeriu-lhe, então, que regressasse duas horas mais tarde.


“Entretanto, quero pedir-te para fazeres uma coisa” – disse o sábio, entregando ao rapaz uma colher de chá com duas gotas de óleo. – “Enquanto andas, carrega esta colher sem deixar que o óleo seja derramado.”


O rapaz começou a subir e a descer as escadarias do palácio, mantendo sempre os olhos fixos na colher. Depois de duas horas, regressou ao quarto onde estava o sábio.


“Bem” – perguntou o sábio, “viste as tapeçarias da Pérsia que estão na minha sala de jantar? Viste o jardim que o mestre jardineiro demorou 10 anos para criar? Reparaste nos belos pergaminhos da minha biblioteca?”


O rapaz, envergonhado, confessou que não tinha observado nada. A sua única preocupação era não derramar as gotas de óleo que o sábio lhe tinha confiado.


“Então vai para trás e observa as maravilhas do meu mundo” – disse o sábio – “Jamais podes confiar num homem se não conheces a sua casa.”


Aliviado, o rapaz levou a colher e voltou a explorar o palácio, mas desta vez observando todas as obras de arte nos tetos e nas paredes.

Então, viu os jardins, as montanhas ao redor, a beleza das flores, o requinte com que tudo tinha sido selecionado. Ao voltar para o sábio, relatou pormenorizadamente tudo o que tinha observado.


“Mas onde estão as duas gotas de óleo que te confiei?” – perguntou o sábio.

Olhando para a colher o rapaz viu que o óleo já não estava lá.

“Bem, só existe um conselho que te posso dar.” – disse o mais sábio dos sábios.


O segredo da felicidade é ver todas as maravilhas do mundo e nunca esquecer as duas gotas de óleo na colher.


Esta parábola de Paulo Coelho, ilustra e reforça o artigo anteriormente publicado, no qual o simples segredo da felicidade está no interior de cada um, sendo especial e único em cada um.


Hoje, a maioria busca o prazer no exterior de si: são os jogos, as consolas, os ecrãs, as roupas, os carros… A dimensão do TER assume especial relevância, em detrimento da dimensão do SER.


E assim tornamo-nos TERES Humanos, deixando de SER Humanos.


Querem-se crianças felizes, jovens esperançados, adultos realizados. E este querer manifesta-se e concretiza-se na intenção consciente de educadores formais e informais, fomentarem e trabalharem com as crianças a aquisição de competências emocionais, transversais na sua vida e geradoras de um caminho de conquistas obtidas e desafios superados.

77 visualizações0 comentário

Posts Relacionados

Ver tudo

A motivação como reflexo de Inteligência Emocional

A Inteligência Emocional, como foi referido em artigos anteriores, permite alcançar os objetivos, à medida que as emoções são compreendidas e reguladas. A motivação é uma competência pessoal e social

A Empatia no desenvolvimento da Inteligência Emocional

A empatia é uma competência humana que integra o desenvolvimento da Inteligência Emocional. Segundo Adriana Vieira (2013), ser empático significa “ser capaz de identificar e compreender as emoções e o