• Alexandra Gomes

Entrada no 1º CEB: porque “nim”!

Terminado o ensino pré-escolar e tendo como referência o 15 de setembro para a primeira grande tomada de decisão parental, muitos são os que se deparam com o desafio de matricular o seu filho com “ainda” 5 anos de idade, no 1º ano de escolaridade.


O desafio é equilibrar os ganhos e as perdas, as vantagens e as desvantagens, da entrada no 1º CEB.


A permanência da criança em mais um ano no ensino pré-escolar é, na maioria das vezes, um ganho. É mais um ano de brincadeira; é mais um ano sem a responsabilidade e a pressão de integrar um sistema de ensino igualmente formatado, desde há décadas e décadas; é mais um ano onde se adquire a maturidade e as aprendizagens essenciais a um desenvolvimento saudável.


Mais um ano no ensino pré-escolar, integrado na idade adequada, naturalmente significa viver sem pressa, viver como se de um passeio se tratasse e não uma corrida significasse.


A “perda” dos amigos parece uma perda com um tónus ilusório, uma vez que a maioria das turmas do ensino pré-escolar é vertical, englobando meninos com idades entre os 3 e os 6 anos de idade e, por isso, contribuindo para uma maior probabilidade de ter um grupo de amigos diversificado. Além disso, “fazer novos amigos” é uma competência mais natural e mais facilmente acontecível com as crianças, do que o esperado pelos adultos.


A entrada com 5 anos de escolaridade, não duvidando da capacidade cognitiva da criança em abraçar este novo desafio, parece ser um fator condicionante, pelo menos nos primeiros anos: ser o “miúdo”, o “puto”, o “novato” da turma são alcunhas que em nada alegram ou encorajam a criança.


Esta entrada precoce tem riscos, ainda que esses riscos sejam considerados pelos mais interessados nesta mudança – os pais – como riscos à altura de serem corridos. Mas estes são riscos que devem ser considerados pois, mesmo que se baseiem nas crenças “a escola primária fará com que as crianças fiquem mais maduras emocionalmente” e “a criança deve seguir os amigos do seu ciclo de ensino”, representam decisões que implicam para a criança o aumento do seu esforço e da sua disciplina para aprender, para estar sentado numa cadeira durante horas e horas a fio e assim enfadar-se e reprovar nos primeiros anos de escolaridade.


Autenticamente, todos conhecemos crianças com maturidade suficiente para entrar no 1º CEB com 5 anos de idade. Por isso é cada vez mais importante que esta decisão seja tomada multidisciplinarmente, em que a opinião dos pais, dos educadores, do psicólogo e a análise do contexto estrutural em que se insere a criança, devem ser consideradas.


Em caso de dúvida, evoquem-se memórias da própria infância e atentem às que vos fizeram genuinamente feliz: as brincadeiras permanentes que davam sentido a cada dia da sua vida. Se esta tiver condições de desenvolvimento entre a família ou numa vizinha, a matrícula na escola pode esperar mais um ano. Brincar continua a ser determinante para o desenvolvimento infantil da criança. Afinal, a criança que consegue iniciar uma brincadeira, gosta de interagir e demonstra respeito e carinho em casa está também a desenvolver as suas competências, tão importantes para o seu desenvolvimento pessoal.

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