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Mentalidade de crescimento na infância: o superpoder de aprender

  • Foto do escritor: Viviana Marinho
    Viviana Marinho
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Imagine duas crianças perante o mesmo puzzle desafiante. A primeira tenta encaixar duas peças, não consegue, empurra o brinquedo e diz: "Isto é muito difícil, eu não sei fazer puzzles". A segunda tenta, falha, mas os seus olhos brilham e ela diz: "Hum, este é dos difíceis! Deixa-me cá ver como é que se resolve". O que diferencia estas duas crianças não é o coeficiente de inteligência (QI), nem o talento natural. A diferença reside na lente através da qual olham para o mundo: a sua mentalidade.

Popularizado pela psicóloga Carol Dweck, o conceito de Mentalidade de Crescimento (Growth Mindset) é, provavelmente, uma das ferramentas mais revolucionárias que podemos cultivar na infância para prevenir a "Geração do Não Consigo" e construir adultos autónomos.


Mentalidade Fixa vs Mentalidade de Crescimento

Para percebermos o impacto deste conceito nas crianças, precisamos de contrastar os dois caminhos:

  • A Mentalidade Fixa: A criança acredita que as suas capacidades, a sua inteligência e os seus talentos são qualidades estáticas. Ou se nasce com jeito para a matemática, ou não; ou se é bom a desenhar, ou não. Para esta criança, o erro é uma vergonha (uma prova de que falhou) e o esforço é visto como algo penoso — afinal, "se eu tivesse talento, não precisava de me esforçar tanto".

  • A Mentalidade de Crescimento: A criança compreende que o cérebro é como um músculo que se desenvolve com o treino. Ela percebe que a inteligência e as competências podem ser cultivadas através do esforço, de boas estratégias e da orientação certa. Para ela, o erro não é um veredicto, mas sim um sinal de que está a crescer, e o desafio é visto como uma oportunidade divertida de ficar mais forte.


O Cérebro Plástico: A Ciência do Treino

Explicar a neurociência às crianças de forma simples é um passo mágico para ativar esta mentalidade. Quando ensinamos aos alunos do 1.º e 2.º ano que o cérebro deles é feito de milhões de estradas pequeninas (os neurónios) e que, de cada vez que eles tentam algo difícil, estão a construir uma "ponte" nova ou a pavimentar uma estrada, a perspetiva deles muda.


O esforço deixa de ser um castigo e passa a ser o motor da neuroplasticidade. A criança percebe que não conseguir fazer algo hoje apenas significa que a estrada na sua cabeça ainda está em obras.


Como semear a Mentalidade de Crescimento no Quotidiano

Cultivar esta postura exige uma mudança profunda nas mensagens que transmitimos diariamente, tanto em casa como na sala de aula:

  1. Substitua o foco do resultado pelo foco na estratégia: Quando a criança trouxer uma boa nota ou terminar uma tarefa, evite o "És tão inteligente". Prefira: "Estou muito orgulhoso da forma como te concentraste e não desististe mesmo quando o exercício ficou difícil" ou "Que estratégia usaste para resolver isto?".

  2. Normalize o Erro: O erro deve ser desmistificado. Crie o hábito de perguntar à mesa do jantar ou no final da aula: "Quem é que errou hoje e o que é que aprendeu com isso?". Quando o adulto assume os seus próprios erros com naturalidade, a criança perde o medo de arriscar.

  3. Use a palavra mágica: "AINDA": Este é o maior gatilho de esperança no desenvolvimento infantil. Sempre que ouvir "Eu não sei ler", "Eu não consigo fazer isto" ou "Eu não tenho jeito para o desporto", acrescente imediatamente: "...Ainda". O ainda abre uma porta para o futuro e lembra a criança de que ela está numa jornada em constante evolução.


O Maior Legado que Podemos Deixar

Dotar uma criança com uma Mentalidade de Crescimento não significa garantir que ela será a melhor da turma ou que nunca irá sofrer com uma nota baixa. Significa algo muito maior: garantir que ela desenvolve a coragem de tentar.


Quando mudamos a mentalidade na infância, transformamos a forma como os nossos filhos e alunos vão olhar para os obstáculos da vida inteira. Eles deixam de ser reféns do medo do falhanço e passam a ser os cientistas da sua própria jornada, sabendo perfeitamente que, com resiliência, paciência e dedicação, o seu cérebro é capaz de aprender qualquer coisa.

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