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O papel do sono e da alimentação no foco: será que a dificuldade de concentração começa sempre nos estudos?

Foto do escritor: Viviana Marinho
Viviana Marinho
há 22 horas
3 min de leitura

“Distrai-se com tudo.” 

“Parece que está sempre cansado.” 

“Demora imenso tempo a fazer os trabalhos de casa.” 

“Não consegue estar concentrado.” 


Quando uma criança ou adolescente apresenta dificuldades de atenção, é natural pensarmos imediatamente em estratégias de estudo, organização ou gestão das distrações. 


Mas antes de perguntarmos “Como podemos melhorar a concentração?”, há outra pergunta que merece atenção: 

Como estão as necessidades básicas desta criança? 

O sono e a alimentação não explicam todas as dificuldades de concentração, mas fazem parte das condições necessárias para que o cérebro consiga aprender, regular-se e manter a atenção. 


O sono pode mesmo influenciar a aprendizagem? 

Sim. 

Enquanto dormimos, o cérebro não fica simplesmente “desligado”. O sono participa em processos importantes para a memória, aprendizagem, atenção e regulação emocional. 


Quando uma criança dorme pouco ou tem um sono de baixa qualidade, pode apresentar maior dificuldade em manter a atenção, recordar informação, controlar impulsos ou lidar com pequenas frustrações. 

E nem sempre uma criança cansada parece ter sono. 

Algumas ficam mais irritadas, agitadas, impulsivas ou desatentas. 

Por isso, perante uma alteração significativa na concentração, também é importante perguntar: 

“Como tem dormido?” 


Quantas horas deve dormir uma criança? 

As necessidades variam de acordo com a idade e com cada criança, mas existem recomendações gerais. 


De forma aproximada, crianças entre os 6 e os 12 anos necessitam habitualmente de 9 a 12 horas de sono por dia, enquanto adolescentes entre os 13 e os 18 anos precisam geralmente de cerca de 8 a 10 horas. 


Mas não devemos olhar apenas para o número de horas. 

Também importa perceber se existem horários relativamente consistentes, dificuldade em adormecer, despertares frequentes ou cansaço significativo ao acordar. 


Quantidade e qualidade do sono são igualmente importantes. 


E os ecrãs antes de dormir? 

Aqui, não se trata apenas da luz do ecrã. 


Um vídeo leva a outro, chega uma mensagem, aparece uma notificação e aquilo que seriam “só mais cinco minutos” se transforma facilmente em muito mais tempo. 


Além de poder atrasar a hora de deitar, determinados conteúdos mantêm o cérebro num estado de maior estimulação precisamente quando deveria começar a desacelerar. 


Criar uma rotina de final do dia mais previsível e reduzir a utilização de dispositivos próximo da hora de dormir pode facilitar esta transição. 


E há uma medida muito simples que pode ajudar: sempre que possível, o telemóvel não deve dormir com a criança. 


A alimentação também interfere na concentração? 

Também pode ter influência. 


O cérebro precisa de energia e nutrientes para funcionar. Uma alimentação regular e variada ajuda a sustentar o funcionamento físico e cognitivo ao longo do dia. 


Longos períodos sem comer, refeições pouco equilibradas ou uma hidratação insuficiente podem contribuir, em algumas crianças, para cansaço, desconforto e maior dificuldade em manter a atenção. 


Isto não significa que exista um alimento específico capaz de “dar concentração”. 

Não há um alimento mágico que faça uma criança ficar focada. 

É o padrão global de alimentação, juntamente com outros hábitos de vida, que importa considerar. 


Então, o que devemos privilegiar? 

Mais do que procurar alimentos “para o cérebro”, importa promover uma rotina alimentar variada, equilibrada e adequada às necessidades da criança. 


Água ao longo do dia, fruta e hortícolas, fontes de proteína, cereais e outros alimentos que façam parte de uma alimentação equilibrada podem contribuir para assegurar a energia e os nutrientes necessários. 


Também é importante que as crianças não passem períodos excessivamente longos sem comer quando isso não é adequado à sua rotina e necessidades. 


E, perante dificuldades alimentares específicas, restrições ou preocupações nutricionais, a orientação deve ser individualizada por um profissional de saúde qualificado. 


“Mas ele dorme e come bem e continua sem se concentrar…” 


E pode acontecer. 

Sono e alimentação são duas peças de um puzzle muito maior. 


A atenção também pode ser influenciada pelo estado emocional, motivação, ambiente, nível de dificuldade da tarefa, organização, ansiedade, desenvolvimento das Funções Executivas e diferentes condições do neurodesenvolvimento, entre muitos outros fatores. 


Por isso, seria errado assumir que uma dificuldade persistente de concentração acontece simplesmente porque uma criança “dorme mal” ou “come mal”. 


O importante é olhar para a criança como um todo. 


Antes de mudar o método de estudo, vale a pena olhar para a rotina 

Podemos ter o melhor planeador, a secretária mais organizada e excelentes estratégias de estudo. Mas um cérebro cansado terá, naturalmente, mais dificuldade em tirar partido delas. 


Por isso, quando pensamos em aprendizagem, não devemos olhar apenas para aquilo que acontece quando a criança abre o livro. 


Também importa aquilo que acontece antes. 


Como dorme. Como se alimenta. Como descansa. Como se sente. Como é a sua rotina. 


Porque cuidar da aprendizagem também significa criar as condições para que o cérebro esteja disponível para aprender.

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