• Alexandra Gomes

Porque também é bom regressar ao passado: os benefícios em “escrever à mão”

“As letras que elas produzem, são muito desorganizadas e variáveis, mas isso é bom para o modo como as crianças aprendem as coisas. Este parecer ser um dos grandes benefícios da escrita à mão.”

(Larin James)


No dia 23 de janeiro assinala-se o Dia Internacional da Escrita à Mão. Talvez porque seja um hábito que se está a perder, uma prática que não se quer esquecer e uma habilidade que representa uma mais-valia para a humanidade.


Escrever à mão continua a apresentar vários benefícios a que a evolução tecnológica ainda não conseguiu igualar-se. Alguns desses benefícios são:


  1. Aumenta a criatividade e a capacidade de reflexão. A escrita manual facilita a descoberta de novas ideias, organiza o pensamento e permite um maior estado reflexivo; este movimento de criatividade e reflexão é potenciado com o uso de esferográficas de várias cores.

  2. Melhora a memória e retarda a declinação mental. Ao escrever à mão são ativados os centros da própria memória e não do computador, do tablet ou telemóvel, cuja memória é a dos próprios dispositivos. Nestes, o que acontece é apenas uma transmissão passiva do conhecimento. A escrita à mão ativa alguns gatilhos cerebrais que exercitam várias competências, entre elas a memorização.

  3. Promove a concentração. Ao escrever à mão, a aumenta a fluidez de ideias que se interligam, mantendo um fio condutor que ajuda a permanecer concentrado na tarefa.

  4. Melhora a escrita. A escrita manual transmite a consciência na responsabilidade em escrever bem, corretamente, pela ausência de corretores ortográficos automáticos ou atalhos que acelerem o processo de escrita. Paralelamente, ao escrever à mão é pedido maior esforço físico que ajuda a manter o foco no essencial.

  5. Facilita a compreensão. A investigação científica revela que os alunos que mais anotações fazem manuscritamente, apresentam melhores resultados escolares, comparativamente aos alunos que apenas usam o computador para escrever. A escrita manual, ainda que mais demorada, auxilia a escrita, a interpretação do texto e a redação por palavras próprias.

  6. Melhora o humor e ajuda a superar estados de depressão e ansiedade. A escrita manual sobre as tristezas, as inquietações e os próprios medos é uma boa terapia para se libertar do que o angustia, preocupa, frustra e deprime, à medida que permite um estado de maior tranquilidade.

  7. Evoca a importância de ter o seu espaço e privacidade. Nos momentos em que se escolhe retirar e escrever manualmente, apenas com um papel e uma caneta, o espaço e o tempo são só seus e representam uma oportunidade de reencontro consigo próprio, com a sua essência.

  8. Ajuda a definir prioridades. O ser humano tende a “ruminar” nos próprios pensamentos, levando a estados emocionais deprimidos ou ansiogénicos. A escrita, particularmente a escrita manual, não permite essa ruminação pois ativa a criação de novos pensamentos, novas reflexões e várias soluções para o que, cognitivamente, parecia não ter solução.

Estes parecem motivos válidos, não só para resgatar os benefícios da arte da escrita, como para celebrar uma prática desde sempre tão importante para a humanidade.

Referência Bibliográfica


Piazzi, P. (2015). Aprendendo Inteligência. Manual de instruções do cérebro para estudantes em

geral. São Paulo: Editora Aleph.

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